
Líder espiritual de Gravataí recebe três honrarias da Afroconesul em evento que reuniu mais de 500 religiosos em Passo Fundo
Reconhecimento nacional destaca atuação de Mestre Lukas na defesa dos povos de terreiro e reconhece trajetória de mais de 20 anos
O sacerdote religioso e Tata de Quimbanda Independente, Mestre Lukas de Bará da Rua, foi um dos grandes destaques do Oscar Africanista 2026, realizado no último sábado (06.06), no Hotel Gran Palazzo, em Passo Fundo (RS). Durante a cerimônia, promovida pelo Conselho Federativo dos Cultos Afro-Umbandistas da América do Sul (Afroconesul), o líder espiritual recebeu três importantes honrarias: o Oscar Africanista, o título de Comendador Afroconesul e o Destaque da Noite, com o recebimento do colar de Mestre de Alta Magia.
Considerado o maior evento da América Latina voltado aos cultos e religiões de matriz africana, o Oscar Africanista reuniu mais de 500 participantes, entre sacerdotes, mestres quimbandeiros, umbandistas, praticantes de alta magia, bruxos e lideranças religiosas de diversas regiões do Brasil. A Afroconesul, entidade responsável pela organização, completa em 2026, 38 anos de atuação, contando atualmente com cerca de 58 mil filiados na América Latina.
A premiação concedida a Mestre Lukas reconhece sua trajetória de mais de duas décadas de atuação religiosa e social, marcada pelo trabalho espiritual e pela defesa dos direitos dos povos de terreiro. Mestre Lukas também ganhou notoriedade nacional após a criação da Nova Ordem de Lúcifer na Terra (N.O.L.T.), que envolveu a construção e interdição de um santuário religioso dedicado a Lúcifer, em Gravataí, além da primeira igreja dedicada à divindade no Rio Grande do Sul.
Durante o evento, Mestre Lukas destacou a importância do reconhecimento recebido.
"É um reconhecimento maravilhoso do trabalho que a gente vem fazendo ao longo dos anos. A Afroconesul é uma associação muito respeitada no Brasil e fora do Brasil e hoje estar recebendo o Oscar Africanista, mais o Destaque da Noite e o título de Comendador da Afroconesul é maravilhoso. Fiquei muito contente", declarou.
Além de Mestre Lukas, o evento também homenageou outros representantes ligados ao Templo Mensageiros da Luz, fundado pelo sacerdote em Gravataí. Ao todo, mais de 40 pessoas da cidade estiveram presentes na cerimônia entre filhos do templo, apoiadores e membros da comunidade religiosa. Três sacerdotes formados dentro do templo também receberam premiações durante a noite. Outro destaque foi Tata Hélio de Astaroth, cofundador da Nova Ordem de Lúcifer na Terra (N.O.L.T.), que também recebeu o Oscar Africanista e uma premiação de destaque.
O presidente da Afroconesul e idealizador do Oscar Africanista, Mestre Tony Machado, de 87 anos, ressaltou a relevância da homenagem concedida ao líder religioso gaúcho e a necessidade de lutar para que as diferentes crenças sejam respeitadas.
"O que ocorreu na cidade de Gravataí com Mestre Lukas foi absurdo. Vemos que preconceito e intolerância religiosa ainda acontecem, mesmo em um país considerado laico. O que fizeram ao Mestre Lukas é perseguição religiosa. Cristãos perseguem quem cultua diferentes religiões, mas o que não sabem é que dentro do próprio Vaticano eles cultuam Lúcifer", afirmou.
Para outras lideranças presentes no evento, a homenagem também representa um reconhecimento à resistência das religiões de matriz africana diante dos episódios de preconceito enfrentados nos últimos anos. Segundo Pai Alex, de Porto Alegre, que acompanha a luta pela liberação do templo dedicado à Lúcifer, o que o Estado quer é calar a diversidade religiosa.
"Conheço Mestre Lukas há muitos anos. Ele sempre ajudou o povo de axé. Quando ele foi crescendo, começaram as práticas de intolerância religiosa, e foi quando começamos a lutar e acompanhar. Querem nos calar, mas ele lutou, está lutando, e nunca vão conseguir calar a gente. É uma pessoa que só tem a agregar à nossa sociedade", opinou.
Já Pai Cebola de Oxalá, de Canoas, chamou atenção para a necessidade de garantir o cumprimento efetivo do princípio constitucional da liberdade religiosa.
"O próprio Estado trata com diferença as religiões e os templos, quando deveria tratar todos com igualdade. Temos que criar mecanismos para que o Estado seja realmente laico. Isso já existe na Constituição, mas muitas vezes não é respeitado", disse.
Segundo a organização da Afroconesul, um dos critérios para obtenção de registro junto à entidade é a comprovação do sacerdócio e do cumprimento das obrigações religiosas exigidas pelas tradições representadas pela entidade. Filiados que não cumprem as regras são destituídos publicamente.
A edição deste ano do Oscar Africanista reuniu representantes de diferentes vertentes espirituais para celebrar a ancestralidade, a preservação cultural e a liberdade de crença.
Fonte: Assessoria de Imprensa - Mestre Lukas

